Concurso para habitação de interesse social

A implantação dos loteamentos unifamiliares, em lotes e residências isoladas, além de não gerar vantagens urbanas, privilegiam os espaços individuais, resultando numa ocupação espraiada, baixíssima densidade e alta necessidade de infraestrutura urbana.

A ocupação pretendida parte do pressuposto da otimização da infraestrutura urbana, gerando fachadas voltadas para as vias principais, passíveis do exercício de comércio e serviços, e sobretudo a criação de pátios internos ao conjunto,

Com isso, tem-se áreas verdes voltadas as habitações, gerando conforto térmico e espaços de lazer.

Este arranjo reforça, também, a otimização de recursos para a geração de conforto nas residências. A orientação do conjunto pode viabilizar a geração de energia ou aquecimento da água pelo sol, bem como as proteções e colchões de ar geram sensação de conforto com o uso de poucos recursos, servindo um número grande de famílias.

Viário

01. A continuidade do traçado urbano existente foi uma das diretrizes para o desenho das vias, a fim de garantir conexão entre o futuro projeto e o bairro já consolidado.

02. Também com o propósito de conexão urbana e social, as vias foram traçadas de forma a interligar os equipamentos urbanos existentes e os novos propostos.

03. Além disso, a partir da leitura urbana do entorno, percebe-se uniformidade na localização dos equipamentos públicos, praças e comércio. Esse zoneamento também encontrou continuidade nas novas quadras propostas.

04. Entretanto, a tipologia proposta se distingue consideravelmente em relação ao existente. Os conjuntos habitacionais pretendem liberar o solo urbano para o uso comum de seus habitantes, possibilitando áreas de lazer e qualificando o espaço da cidade. Além disso, a disposição dos blocos acaba por promover a hierarquização dos espaços, conectando e distinguindo espaços públicos, coletivos e privados.

05. A existência de um interceptor de esgoto passando por toda a extensão da área é determinante no traçado do novo projeto. Contudo, o desenho propõe que tal diagonal não seja marcada por uma via de carros, mas possa surgir como um elemento estruturante do bairro, sendo dissolvida e conectando parque, conjuntos residenciais e equipamentos. Jamais se constrói sobre a faixa non edificandi. O desenho de um eixo composto por ciclovia e passeios dissolve sua marcação no solo.

06. A proposição de uma faixa de parque e a implantação de uma via parque no contorno da ARIE JK pretendem servir como barreira ao crescimento urbano e, principalmente, como conexão entre a cidade e a área de preservação. Os comércios das quadras adjacentes voltam seus olhos para o parque, promovendo atividades nos diferentes horários do dia.

Tipologias

São propostas tipologias com dois e três quartos, além da PNE. As mesmas tipologias são aplicadas para os setores A e B, sendo dispostas em conjuntos com diferentes números de pavimentos, a fim de obedecer às densidades especificadas pela norma. Portanto, como o setor B possui densidade inferior, recebe conjuntos de até dois pavimentos, enquanto os blocos do setor A possuem de três a quatro pavimentos.

A diversidade e flexibilidade se da dentro das tipologias, que podem ter arranjos diversos. Não se trata de resolver o déficit habitacional com um numero excessivo de tipologias, mas sim na riqueza de sua organização espacial e de conjunto e, principalmente, suas relações com a cidade

Quantitativos

Resumo Setor A

46 unidades comerciais
total de 3.000 m2

1418 unidades habitacionais*
(1162 – 2 dormitórios)
(256 – 3 dormitórios)

* pela quantidade de unidades que podem ser feitas numa outra etapa (104), chega-se ao número total de 1.314 unidades habitacionais.

122 vagas para veículos para comércio
790 vagas para veículos para habitações

área destinada ao parque 48.670 m2
área destinada ao uso institucional 15.750 m2
área destinada ao uso institucional – expansão 11.365 m2

Resumo Setor B

23 unidades comerciais
total de 1.512 m2

255 unidades habitacionais**
(200 – 2 dormitórios)
(55 – 3 dormitórios)

** pela quantidade de unidades que podem ser feitas numa outra etapa (52), chega-se ao número total de 203 unidades habitacionais.

46 vagas para veículos para comércio
275 vagas para veículos para habitações

área destinada a comércio e serviços 18.490 m2
área destinada ao uso institucional 10.910 m2
área destinada ao uso institucional – expansão 16.145 m2

ficha técnica

localização: ceilândia - df, brasil
área: 41,93 hectares
ano do projeto: 2017

equipe: Bruno Rossi / Letícia Sitta
colaboração nas imagens: Djuly Duarte Valdo / Thais de Freitas

premiações

Menção Honrosa no Concurso público nacional de projeto de urbanismo e arquitetura no setor habitacional Pôr do Sol - Ceilândia - DF