Escola de ensino fundamental

O projeto do Centro de Ensino Fundamental (CEF) é precedido por uma profunda reflexão sobre os espaços escolares, sobre as possibilidades de aprendizagem e pelas demandas urgentes do ensino público no Brasil. O espaço foi pensado para possibilitar a convivência, ser palco para troca de aprendizado e para as experiências de vida que construirão o caráter e a memória afetiva dos estudantes. Ele atende o conteúdo programa de necessidades, a adequação ao terreno, atende às necessidades de serviços públicos educacionais no bairro, recém agraciado com o Conjunto Habitacional de Interesse Social denominado “Parque do Riacho”. Portanto, trata-se de um conjunto arquitetônico capaz de possibilitar diversos arranjos e possibilidades extra classe entre os alunos e também dos funcionários.

Para isso cria-se uma série de conformações entre cheios e vazios, espaços construídos e espaços abertos, edifício e praças. As dimensões variadas de espaços, bem como a alteração dos pés direitos através da escavação da praça central rebaixada e um fluxo amplo e contínuo entre todos os ambientes da escola, afirmam esta intenção projetual. O pátio central é o articulador de todo o programa. Dispondo as salas de aula como blocos isolados, criamos situações de plena ventilação e iluminação, gerando pequenos pátios internos. Assim, possibilitamos maior fluidez dos espaços e a livre circulação dos alunos pelo espaço térreo – que norteou o projeto. No piso superior, nossa preocupação foi garantir a constante interação visual dos usuários. As circulações estão sempre voltadas para os lados externos da edificação, gerando uma agradável comunicação entre os variados desníveis do projeto.

Pensando a escola como equipamento público, entendemos que certas atividades nela
exercidas podem dar suporte e atender a comunidade local, tais como: o Auditório – que através dos painéis de fechamento que se abrem por completo, interage tanto com o pátio interno como com a área externa da escola; a Biblioteca – que nos finais de semana pode ser acessada pelos moradores do bairro; a Quadra Poliesportiva – que também serve como mais um equipamento de lazer da comunidade nos períodos sem aula; e o Refeitório – que atende os alunos e dá suporte a eventos, se necessário. O Refeitório, localizado em frente ao pátio coberto, e com fechamento em brise, permite entrada de luz, ventilação e uma visual da rua pela permeabilidade desse elemento, garantindo a convivência desejada.

O sistema construtivo prioriza a rapidez da execução do projeto. A preferência por itens padronizados e utilizados em grande escala na construção civil brasileira, tais como a estrutura metálica, lajes de steel deck e fechamentos de painéis cimentícios permitirão além da agilidade, maior controle dos processos construtivos na obra.
Além dos sistemas passivos de iluminação e ventilação – uso de lanternins na quadra,
permeabilidade do terreno, uso de elementos vazados e brises – a escola conta com sistemas ativos de sustentabilidade, como cisternas para água de reuso nos jardins e lavagem das áreas comuns – pátios – , aquecimento solar e placas fotovoltaicas.

ficha técnica

concurso nacional de arquitetura
localização: brasília - df, brasil
ano do projeto: 2016

arquitetura: bruno rossi, marco artigas, ricardo marmorato, sheila altmann, Laís Oliveira Xavier, Marco Peixe D’Elia, Lucio Fleury, Bruno Rossi e Ursula Troncoso